29 Abr 2009
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Etiquetas:PS, Vital Moreira
Vital Moreira não tem razão

José A. Silva Peneda – 20090429
O Governo falhou estrondosamente nos prazos de entrada em vigor do QREN. Vi na televisão o programa Prós e Contras em que participaram os candidatos dos partidos políticos às próximas eleições europeias e em que Vital Moreira procurou minimizar os efeitos do escandaloso atraso da aplicação das verbas oriundas dos fundos europeus em Portugal, o chamado QREN.
Sobre este tema, nenhum dos intervenientes no programa referiu dois pontos que mostram com enorme evidência a incompetência do Governo.
Em primeiro lugar, faltou dizer que o Governo falhou estrondosamente nos prazos de entrada em vigor do QREN. Foi o próprio Governo, através da Resolução de Conselho de Ministros 25/2006, que disse: “Com o objectivo de optimizar a transição entre o actual e o próximo ciclo de programação da política de coesão em Portugal, é imprescindível que os instrumentos operacionais possam entrar em vigor em Janeiro de 2007″ (itálico meu). Nos anos de 2007 e 2008, nada aconteceu e a meio de 2009 a execução continua baixíssima. Tudo isto teria uma importância menor se não estivéssemos a tratar do problema mais grave de Portugal, a falta de investimento. Assim, o primeiro ponto a sublinhar é que o Governo não cumpriu o que prometeu, nem explicou as razões de tamanho atraso.
Em segundo lugar, nenhum dos participantes se referiu à forma desastrosa como o Governo concebeu os mecanismos de decisão dos programas a incluir no QREN. O QREN, que poderia ser o grande factor de aumento generalizado da confiança, ingrediente essencial para o aumento do investimento, é hoje uma oportunidade perdida, porque foi cozinhado em gabinetes, ninguém o conhece e vai ser gerido da forma mais centralizada de que há memória.
O Conselho Económico e Social aprovou, por unanimidade, um parecer sobre o QREN que, entre outras coisas, diz o seguinte: “ausência de uma estratégia clara de desenvolvimento a longo prazo; não explicitação da dimensão social e de coesão territorial em articulação com as políticas de competitividade; omissão de uma política de promoção de pequenas e médias empresas; insuficiente justificação da afectação de recursos de elevado montante a grandes projectos de infra-estruturas, como é o caso do novo aeroporto de Lisboa e do comboio de grande velocidade; falta de articulação explícita do QREN com a multiplicidade de programas e planos, sucessivamente anunciados pelo Governo; não clarificação de eventuais consequências das políticas de aglomeração na componente de desenvolvimento regional sobre a desertificação económica e humana em vastas parcelas do território nacional; agravamento das políticas de concentração extensíveis ao modelo de governação do QREN, com esvaziamento da autonomia dos programas operacionais regionais e pouca convicção em relação à contratualização com associações de municípios e outros parceiros no processo de desenvolvimento; separação do QREN das políticas de desenvolvimento rural e das pescas e não inserção destas últimas na estratégia de desenvolvimento nacional; deficiente funcionamento do sistema de consulta, audição e acompanhamento na formulação do QREN”.
Poderia continuar a citar mais argumentos, como seja a referência ao modelo de governação confuso e aos critérios de afectação de recursos pouco claros, mas estes que o Governo não quis ouvir são mais do que suficientes para demonstrar que Vital Moreira não tem razão. Sobre o QREN está tudo dito, o Governo foi incompetente e prejudicou severamente o país. Deputado ao Parlamento Europeu pelo PSD
26 Abr 2009
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Doze anos obrigatórios
O Governo acaba de aprovar a lei que estabelece a escolaridade obrigatória de 12 anos. Há muito que se esperava e estava anunciada pelos programas deste e de anteriores Governos. Aliás, a medida tinha já sido aprovada por um governo do PSD, mas, no trânsito entre Barroso e Santana, o Presidente da República, Jorge Sampaio, não tinha homologado o decreto-lei. Ao mesmo tempo, o Governo anuncia uma decisão de aumentar o número de bolsas de estudo para os alunos que tenham dificuldades económicas em frequentar o ensino secundário. Esta medida não suscita objecções de maior. Uma escolaridade de 11 a 13 anos é geralmente considerada como adequada e necessária. Há já muito que em Portugal deveria vigorar esta norma. Aplauso, pois. Mesmo considerando que a noção de “escolaridade obrigatória” é obsoleta. Na verdade, esse imperativo aplicava-se aos pais que, desde o século XIX, não estavam facilmente predispostos a dispensar os filhos de trabalhar. Hoje, a educação é mais um direito social do que uma obrigação. Admita-se, todavia, que a escola compulsiva ainda faz sentido.
O alcance deste novo regime é moderado. Com números de hoje, serão cerca de trinta mil os alunos que, em condições normais, virão aumentar a frequência do secundário. O universo actual deste ensino, em todas as variantes, incluindo a profissional, é de mais ou menos 350.000 (segundo os jornais, o Governo diz que são apenas 307.000, para uma capacidade de 330.000; as estatísticas oficiais dizem 335.000 só no continente). Mesmo assim, a decisão justifica-se. Já o modo como foi preparada a reforma deixa a desejar. Não foram tornados públicos estudos preparatórios relativamente aos custos, à reorganização e às necessidades de instalações, docentes e outro pessoal. Os responsáveis do ministério disseram publicamente que não pensavam que houvesse necessidade de aumentar os recursos humanos, financeiros e físicos. Sem mais. Aprovada a lei em 2009, só se torna efectiva em 2013. Isto é, só os alunos que no presente ano iniciarem o sétimo virão a ser abrangidos pela obrigatoriedade de prosseguir estudos a partir de décimo.
Com uma legislatura de quatro anos completos a chegar ao fim, as circunstâncias desta aprovação tardia são estranhas. Com um prazo diferido como este, não se percebe por que não foi aprovada a lei em 2006. Já hoje estaria totalmente em vigor. Mas a existência desse prazo é também discutível. Com um ou dois anos de preparação rigorosa, a aprovação da lei poderia ter efeitos imediatos: logo nesse ano, os alunos que terminassem o básico seguiriam todos para o secundário. Não é de excluir que, mais uma vez, tenha sido o ano eleitoral responsável por estas decisões fora do tempo e aquém do modo. Sem o esforço de preparação e sem a organização rigorosa, fica o mérito da decisão. Sem, realmente, justa causa.
As deficiências na preparação surgem de todos os lados. O facto de não se conhecerem as implicações reais deste alargamento é já bastante. É uma antiga tradição. A feitura das leis é, em Portugal, pouco rigorosa e pouco competente. Se forem leis de carácter essencialmente administrativo e jurídico, são preparadas em gabinete, ao milímetro, com recurso a este talento nacional que é o do regulamento. Podem passar completamente ao lado da sociedade e da realidade, mas são minuciosas. Se forem leis que tratam de dinheiro grande, são feitas nos escritórios dos grandes advogados, servem para o que servem, aplicam-se ao que se devem aplicar. Todas as outras, com implicações sociais e económicas vastas e profundas e que afectam toda a população, são geralmente malfeitas, incompletas, sem estudos preparatórios capazes ou, quando estes existem, com estudos secretos e confidenciais. Um dos resultados desta tradição é a multiplicidade de leis sucessivas, de correcções, de rectificações e de interpretações que transformam os sistemas normativos em selvas tropicais.
O governo “julga” que não vão ser necessários edifícios, equipamentos, recursos financeiros e docentes. Julga! Não é uma maneira de gerir o maior departamento do Estado. A criação do limite de 18 anos sugere imediatamente um problema: a idade de acesso ao mercado de trabalho é de 16 anos! Há aqui qualquer coisa que não bate certo. O Governo “pensa” que não. Pensa! E que dizer dos alunos de 18 anos feitos a quem falta um ano de escolaridade no secundário? O Governo “entende” que não há problema. Entende! Quem são estes trinta mil alunos que vão ser abrangidos? Trabalham? Onde? Em quê? Por que saíram do sistema? São pobres? Incompetentes? Incapazes de estudar? Sem apoios familiares? O Governo não sabe. Se sabe, não diz. Mas vai fazer qualquer coisa. Quer dizer, vai dar dinheiro. Parece ser a única coisa que ocorre ao Governo: dar dinheiro. Que vai o Governo fazer com os que já fizeram 18 anos, mas ainda estão por exemplo a acabar o básico? Não sabemos. Será que o Governo mandou estudar seriamente as razões concretas do abandono no fim do básico e no secundário? Que se saiba, não. Teve o Governo a preocupação de investigar esta população que abandona a escola? Tem algum conhecimento, não apenas uma ideia, das consequências desta entrada na escola de umas dezenas de milhares de alunos renitentes, de jovens que já trabalham ou de adolescentes cujos pais não ajudam? As declarações dos governantes sugerem que têm mais palpites.
Esta teria sido uma excelente oportunidade para repensar o ensino secundário, a sua função e a sua natureza. Poder-se-ia ter examinado o ensino profissional equiparado ao secundário, dando-lhe mais importância. Era uma ocasião excelente para revigorar o ensino tecnológico, que este Governo promoveu, é certo, mas que espera pela definição de uma vocação forte e de uma missão de longo alcance. Teria sido possível rever questões fundamentais como sejam a duração do secundário ou a organização curricular que, actualmente, deixa muito a desejar. Era a altura ideal para apreciar serenamente a articulação do secundário com o ensino superior, tanto politécnico como universitário. Era uma grande oportunidade, era. Mas já não é.
26 Abr 2009
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Etiquetas:IDP, Instituto da Democracia Portuguesa
Comunicado
Hoje, 26 de Abril é canonizado em Roma aquele a quem os portugueses já chamavam Santo Condestável. O seu túmulo, no Convento do Carmo, rezava assim: “Aqui jaz o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Fundou, construiu e dedicou esta igreja onde descansa o seu corpo.”
Ontem, 25 de Abril, comemorou-se o dia da Liberdade. Há 35 anos, um homem comandou uma coluna de blindados vinda de Santarém, montou cerco aos ministérios no Terreiro do Paço, e forçou a rendição do regime no Quartel do Carmo. Esse homem, Fernando Salgueiro Maia, cumprida a sua missão, recusou ao longo dos anos ser conselheiro, embaixador, governador civil e demais honras.
Nuno Álvares Pereira e Fernando Salgueiro Maia colocaram o serviço à Pátria à frente dos interesses de grupos e colocaram os grandes princípios da humanidade, religiosos e laicos, à frente do seu interesse pessoal.
É de gente assim que Portugal precisa na crise económica que todos os dias vemos crescer, e que ameaça transformar-se em crise social caso não forem tomadas as medidas correctas, e em crise política se o ciclo eleitoral para onde caminhamos for inconclusivo e pautado pelo abstencionismo.
26 de Abril de 2009
A Direcção do Instituto da Democracia Portuguesa
25 Abr 2009
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Etiquetas:Movimento Democracia
Abril 25, 2009
Caros Portugueses
Há 35 anos um homem foi para o Terreiro do Paço, comandando uma coluna de carros de combate que, vinda de Santarém, montou cerco aos ministérios do Terreiro do Paço forçando, já no final da tarde, a rendição de Marcello Caetano. Salgueiro Maia tal como D.Nuno de Álvares Pereira “O Condestável”, colocaram a sua Pátria à frente dos seus interesses. Não devemos mais nada a alguém que querem promover a Coronel e nunca negou a ligação ao grupo terrorista FP25.
Hoje 25 de Abril de 2009 comemora-se o dia da LIBERDADE, 35 anos passaram onde direitos foram conquistados
mas no entanto tal como há 35 anos Portugal está numa grave Crise Económica.
Sem dúvida que todos podemos hoje em dia nos exprimir como antes de 74 não se podia, hoje podemos nos expressar “livremente” … mas será que isso é a resposta para tudo ? Dá emprego aos desempregados ? Mata a fome ?
“A nossa Liberdade acaba quando põe em Causa a Liberdade dos outros”, todos os dias a nossa LIBERDADE é posta em causa quando se ouve falar às escondidas de :
altíssimas reformas para administradores de bancos, injecção de capital por parte do Estado num Banco, políticos que faltaram à declaração de impostos quando há reformados que recebem menos de 300 euros e apanham uma multa de 150 euros se não entregarem o seu IRS, uma “pessoa” responsável pela repatriação de 500 mil portugueses em 1975 que hoje diz que “a descolonização foi óptima”, endividamentos do Estado em obras faraónicas, financiamento de 10 milhões de euros para a Comissão do Centenário da República, “Jobs for the Boys” …
… e nós perguntamos … “Onde estavas tu no dia 25 de Abril de 1974” ?
Curioso saber que há 35 anos muitos dos que defendiam os direitos dos Trabalhadores e do Povo hoje se encontram
do outro lado da barricada, como a TVI demonstrou no dia 24 de Abril no seu Jornal muitos hoje estão em cargos
de poder. Então ainda há “Vira Casacas” ? Sempre houve …
Não é de admirar as altas taxas de abstênção quando há eleições, a tendência será aumentar cada vez mais porque
os portugueses deixaram de acreditar … acreditar em quê ?
E perguntamos será que alguém da Assembleia da República sabe o que é fome e desemprego ?
Este fim de semana celebramos o exemplo de dois homens que em épocas diferentes deram o exemplo.
Independentemente das cores ideológicas e religiosas Portugal tem de estar primeiro !
Precisamos de acreditar no 5º Império de Fernando Pessoa, celebremos o dia de hoje da Liberdade
e amanhã celebremos o dia da canonização do “Libertador” da Pátria.
VIVA PORTUGAL
Movimento Democracia
24 Abr 2009
by rapm
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João Távora
De forma gratuita, Pedro Santana Lopes prepara-se afrontar os monárquicos portugueses convocando o letárgico Partido Popular Monárquico para a sua coligação à Camara Municipal de Lisboa. Estranho que os seus conselheiros não o tenham advertido de que o PPM se tornou num instrumento de promoção pessoal do Sr. Câmara Pereira, adversário dos monárquicos portugueses e persona non grata à instituição real que estes prezam e honram.
Tendo em conta o cariz supra-partidário da instituição que advoga, um partido monárquico é por si um contra-senso, e esse equívoco adensa-se quando o partido em causa acabou esvaziado de personalidades como Henrique Barrilaro Ruas e Gonçalo Ribeiro Teles, superiores figuras intelectuais que o fundaram e justificaram numa determinada conjuntura histórica.
Se Pedro Santana Lopes desejava atrair monárquicos com esta coligação é bom que se desengane quanto antes: isso não acontecerá numa coligação que inclua o partido do Sr. Camara Pereira.
Fonte : Risco Contínuo
19 Abr 2009
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Etiquetas:Antero de Quental

O espólio do poeta açoriano Antero de Quental existente no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea da Biblioteca Nacional passou a estar online. O espólio do autor de Odes Modernas passa a integrar a Biblioteca Nacional Digital, onde se encontram já disponíveis os de outros escritores, como Eça de Queirós, Vitorino Nemésio, Florbela Espanca, Fernando Pessoa e Rómulo de Carvalho. O espólio de Antero de Quental fez parte do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, tendo sido transferido para a Biblioteca Nacional em 1997. (fonte: Público)
publicado por CFP, Fonte : http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/321276.html
19 Abr 2009
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Etiquetas:António Barreto
Justiça malparada
António Barreto Retrato da Semana – 20090419

A distinção, para efeitos de corrupção, entre actos lícitos e ilícitos visa salvaguardar as causas verdadeiras da corrupçãoA facilidade com que, em Portugal, um caso de justiça se transforma num caso da justiça! É este um dos piores sintomas do estado a que chegou este sistema público. A menina desaparecida no Algarve quase deixou de ser assunto e preocupação, para que o processo, as querelas entre polícias, a competição entre poderes e tutelas, os erros de investigação e as fugas de informação se tornassem o assunto realmente importante.
A criança disputada entre o pai biológico e a família adoptiva (ou que pretendia sê-lo) depressa passou a ser um pretexto para rivalidades entre tribunais e psicólogos.
O processo Casa Pia vai ficar nos anais da justiça portuguesa sobretudo por causa das influências políticas, dos erros de instrução, das fantasias dos interrogatórios, das práticas insólitas de investigação, das quebras de segredo de justiça e das quezílias entre magistrados ou entre polícias. O caso Bragaparques é o sinal exacto do modo como muitos magistrados olham para a corrupção e a respectiva sentença ficará como modelo.
O julgamento de Fátima Felgueiras é rico de peripécias judiciais e fugas, tanto de informação como da arguida.
A história do Freeport, longe do fim, é uma enciclopédia da má investigação, da rivalidade entre polícias, de pressões políticas, de arrogância, de quebra de segredo propositada e de promiscuidade entre a justiça, a política e os negócios.
Os casos do futebol e das SAD estão aí para demonstrar a fragilidade do sistema judicial e da legislação.
Os processos dos bancos mostram como é fácil, quando se tem poder, manipular a informação, passar entre as gotas de água da fiscalização e transformar em lícitos os mais ignóbeis processos de fraude e evasão à lei.
Todos estes processos acabaram por se metamorfosear em questões da justiça, sendo cada vez mais irrelevante a matéria substantiva. O protagonismo de magistrados e polícias e os atropelos de processo ganharam importância e é disso que se discute, não a matéria em apreço. Foram “pressões” conhecidas ou suspeitas; fugas de informação deliberadas e dirigidas; quebras estratégicas de segredo de justiça; técnicas de investigação estapafúrdias; métodos de interrogação e investigação vergonhosos; e acusações públicas entre os operadores de justiça.
Mau grado os milhares de casos resolvidos todos os dias, são os processos “pesados” (pelo dinheiro, pela política, pelo gosto da imprensa ou pelos nomes envolvidos) que dão à justiça portuguesa este carácter de ópera bufa que lhe faz a sua reputação.
Os magistrados e os polícias falam de mais em público e, quando podem e querem, criam polémicas que afectam a segurança e a certeza da justiça. A actuação de dirigentes e ex-dirigentes, de quadros superiores e ex-quadros, da Polícia Judiciária em vários casos, com relevo para a Casa Pia, o Freeport e a menina inglesa, foi própria de querela de taberna ou de balneário Os corpos profissionais da justiça organizam-se para se combaterem, mas também, quando é preciso, para afrontarem a sociedade e o Estado.
As recentes cerimónias de posse dos presidentes dos sindicatos de magistrados judiciais e do ministério público (que não deveriam existir) são autênticos rituais de Estado e poder. Estes sindicatos, aliás, metem o nariz onde não devem e ocupam-se mais de política geral e de política de justiça do que do próprio do sindicalismo, isto é, das questões profissionais e laborais. Alguns dirigentes sindicais chegam a ter influência em processos em curso!
A porosidade entre tribunais superiores, conselhos superiores e sindicatos é assustadora.
A Procuradoria-Geral da República é, há vários anos, um problema real da justiça portuguesa.
A situação em que se encontra o provedor de Justiça é, ao mesmo tempo, uma metáfora e o retrato exacto da Justiça portuguesa. O desempenho de funções políticas por magistrados, desde a requisição para gabinetes e outras instituições, até ao exercício de cargos políticos, mantém-se e desenvolve-se sem chocar quem quer que seja.
O Parlamento, com mais competências em matéria legislativa e judicial do que o Governo, mantém um silêncio e uma inacção próprios dos impotentes.
A Justiça é cara, muito cara. O aumento das custas (mais que compensa as reduções marginais) e o respectivo pagamento “à cabeça” vêm criar novos problemas sociais numa justiça que já é desigual. O Governo encara esses custos como uma espécie de “taxa moderadora” da saúde a fim de diminuir “a procura”!
A distinção, para efeitos de corrupção, entre actos lícitos e ilícitos é uma caricatura e destina-se a salvaguardar as causas verdadeiras da corrupção mais poderosa e eficaz, a que, a coberto da licitude, envenena o país e a sociedade. Há leis suficientes para julgar e punir os crimes de evasão fiscal, de fraude, de corrupção e até de enriquecimento estranho. Mas não há processo, tribunais, polícias e magistrados à altura. Por isso se fazem novas leis. Por isso não se cumprirão.
Estudos de opinião recentemente publicados (na Visão, por exemplo) mostram a terrível percepção que os portugueses têm da justiça. Num caso, consideram a inoperância do sistema como uma das principais ameaças à liberdade. Noutro, colocam os magistrados, numa escala de respeito, nas mais baixas posições. Há vinte ou trinta anos, estavam entre os mais reputados. Hoje, são quase desprezados. Acima deles, muito longe, médicos, professores, advogados, engenheiros, polícias e até jornalistas! Abaixo deles, só ministros e deputados!
O chocante é a atitude e o comportamento dos interessados, supondo que o são. Governo e Parlamento parecem não perceber o que se passa com a falta de respeito pela justiça e pelos magistrados. Não percebem as causas nem as consequências. E, se percebem, não querem saber das soluções. Dirigentes das instituições judiciais e dos sindicatos refugiam-se no direito obscuro, em normas processuais e na arrogância da cátedra. Apesar da existência de centenas de excelentes juízes, aqueles de que não se fala e que não aparecem nos sindicatos e na televisão, a profissão judicial está denegrida pela opinião pública, que a reserva para o refugo da competência e da seriedade. Um país sem justiça é um país perigoso.
19 Abr 2009
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Etiquetas:Centenário da República
O golpe de 27 de Abril de 1913 marca o inicio da guerra aberta entre republicanos.
Vários atentados contra a figura de Afonso Costa levam este a organizar uma policia “voluntária” constituida por elementos de antigas associações secretas e revolucionárias, qu impõe a “tarefa de velar pelo novo regime, apoiar e proteger os chefes republicanos”.
Esta nova “policia” de nome «Formiga Branca» teria como principal objecto proteger Afonso Costa contra o crime de «Lesa chefe do Governo»

Este cartoon de Stuart Carvalhais publicado na “Lanterna” ilustra os exageros da acção desta milícia. Na gravura, o Nazareno, bem seguro entre as mãos de um bufo de «Formiga Branca» e de um guarda da Policia Civil é conduzido à presença de Afonso Costa.
bem haja
Publicada por Ricardo Gomes da Silva, Blogue Centenário da República
12 Abr 2009
by rapm
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Reflexões pelo Professor Medina Carreira
Nota: O Professor Medina Carreira, um dos mais capacitados economistas
portugueses, sempre que fala, deixa o País a reflectir, estupefacto.
Aqui deixamos a síntese de uma das últimas entrevistas que concedeu e,
a não perder.
“Vocês, comunicação social o que dão é esta conversa de «inflação
menos 1 ponto», o «crescimento 0,1 em vez de 0,6»….Se as pessoas
soubessem o que é 0,1 de crescimento, que é um café por português de 3
em 3 dias… Portanto andamos a discutir um café de 3 em 3 dias…mas
é sem açúcar…”
“Eu não sou candidato a nada, e por conseguinte não quero ser popular.
Eu não quero é enganar os portugueses. Nem digo mal por prazer, nem
quero ser «popularucho» porque não dependo do aparelho político!”
“Ainda há dias eu estava num supermercado, numa bicha para pagar, e
estava uma rapariga de umbigo de fora com umas garrafas, e em vez de
multiplicar «6×3=18», contava com os dedos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8,
9… Isto é ensino…é falta de ensino, é uma treta! É o futuro que
está em causa!”
“Os números são fatais. Dos números ninguém se livra, mesmo que não
goste. Uma economia que em cada 3 anos dos últimos 27, cresceu 1% em
2…esta economia não resiste num país europeu.”
“Quem anda a viver da política para tratar da sua vida, não se pode
esperar coisa nenhuma. A causa pública exige entrega e desinteresse.”
“Se nós já estamos ultra-endividados, faz algum sentido ir gastar este
dinheiro todo em coisas que não são estritamente indispensáveis? P’ra
gente ir para o Porto ou para Badajoz mais depressa 20 minutos? Acha
que sim? A aviação está a sofrer uma reconversão, vamos agora fazer um
aeroporto, se calhar não era melhor aproveitar a Portela? Quer dizer,
isto está tudo louco!”
“Eu por mim estou convencido que não se faz nada para pôr a Justiça a
funcionar porque a classe política tem medo de ser apanhada na rede da
Justiça. É uma desconfiança que eu tenho. E então, quanto mais
complicado aquilo for…”
“Nós tivemos nos últimos 10-12 anos 4 Primeiros-Ministros:
-Um desapareceu;
-O outro arranjou um melhor emprego em Bruxelas, foi-se embora;
-O outro foi mandado embora pelo Presidente da República;
-E este coitado, anda a ver se consegue chegar ao fim e fazer alguma coisa…”
“O João Cravinho tentou resolver o problema da corrupção em Portugal.
Tentou. Foi “exilado” para Londres. O Carrilho também falava um
bocado, foi para Paris. O Alegre depois não sei para onde ele irá…
Em Portugal quem fala contra a corrupção ou é mandado para um “exílio
dourado”, ou então é entupido e cercado.”
“Mas você acredita nesse «considerado bem»? Então, o meu amigo
encomenda aí uma ponte que é orçamentada para 100 e depois custa 400?
Não há uma obra que não custe 3 ou 4 vezes mais? Não acha que isto é
um saque dos dinheiros públicos? E não vejo intervenção da polícia…
Há-de acreditar que há muita gente que fica com a grande parte da
diferença!”
“De acordo com as circunstâncias previstas, nós por volta de 2020
somos o país mais pobre da União Europeia. É claro que vamos ter o
nome de Lisboa na estratégia, e vamos ter, eventualmente, o nome de
Lisboa no tratado. É, mas não passa disso. É só para entreter a
gente…”
“Isto é um circo. É uma palhaçada. Nas eleições, uns não sabem o que
estão a prometer, e outros são declaradamente uns mentirosos:
-Prometem aquilo que sabem que não podem.”
“A educação em Portugal é um crime de «lesa-juventude»: Com a fantasia
do ensino dito «inclusivo», têm lá uma data de gente que não quer
estudar, que não faz nada, não fará nada, nem deixa ninguém estudar.
Para que é que serve estar lá gente que não quer estudar? Claro que o
pessoal que não quer estudar está lá a atrapalhar a vida aqueles que
querem estudar. Mas é inclusiva…. O que é inclusiva? É para formar
tontos? Analfabetos?”
“Os exames são uma vergonha. Você acredita que num ano a média de
Matemática é 10, e no outro ano é 14? Acha que o pessoal melhorou
desta maneira? Por conseguinte a única coisa que posso dizer é que é
mentira! Está-se a levar a juventude para um beco sem saída. Esta
juventude vai ser completamente desgraçada! “
“A minha opinião desde há muito tempo é TGV- Não! Para um país com
este tamanho é uma tontice. O aeroporto depende. Eu acho que é de
pensar duas vezes esse problema. Ainda mais agora com o problema do
petróleo. “Bragança não pode ficar fora da rede de auto-estradas? Não?
Quer dizer, Bragança fica dentro da rede de auto-estradas e nós
ficamos encalacrados no estrangeiro? Eu nem comento essa afirmação que
é para não ir mais longe… Bragança com uma boa estrada fica muito
bem ligada. Quem tem interesse que se façam estas obras é o Governo
Português, são os partidos do poder, são os bancos, são os
construtores, são os vendedores de maquinaria… Esses é que têm
interesse, não é o Português!”
“Nós em Portugal sabemos é resolver o problema dos outros: A guerra do
Iraque, do Afeganistão, se o Presidente havia de ter sido o Bush, mas
não sabemos resolver os nossos. As nossas grandes personalidades em
Portugal falam de tudo no estrangeiro: criticam, promovem,
conferenciam, discutem, mas se lhes perguntar o que é que se devia
fazer em Portugal nenhum sabe. Somos um país de papagaios… Receber
os prisioneiros de Guantanamo? «Isso fica bem e a alimentação não deve
ser cara…» Saibamos olhar para os nossos problemas e resolvê-los e
deixemos lá os outros… Isso é um sintoma de inferioridade que a
gente tem, estar sempre a olhar para os outros. Olhemos para nós!”
“A crise internacional é realmente um problema grave, para 1-2 anos.
Quando passar lá fora, a crise passará cá. Mas quando essa crise
passar cá, nós ficamos outra vez com os nossos problemas, com a nossa
crise. Portanto é importante não embebedar o pessoal com a ideia de
que isto é a maldita crise. Não é!”
“Nós estamos com um endividamento diário nos últimos 3 anos
correspondente a 48 milhões de euros por dia: Por hora são 2 milhões!
Portanto, quando acabarmos este programa Portugal deve mais 2 milhões!
Quem é que vai pagar?”
“Isso era o que deveríamos ter em grande quantidade. Era vender
sapatos. Mas nós não estamos a falar de vender sapatos. Nós estamos a
falar de pedir dinheiro emprestado lá fora, pô-lo a circular, o
pessoal come e bebe, e depois ele sai logo a seguir…”
“Ouça, eu não ligo importância a esses documentos aprovados na
Assembleia…Não me fale da Assembleia, isso é uma provocação…
Poupe-me a esse espectáculo….”
“Isto da avaliação dos professores não é começar por lado nenhum. Eu
já disse à Ministra uma vez «A senhora tem uma agenda errada”» Porque
sem pôr disciplina na escola, não lhe interessa os professores. Quer
grandes professores? Eu também, agora, para quê? Chegam lá os meninos
fazem o que lhes dá na cabeça, insultam, batem, partem a carteira e
não acontece coisa nenhuma. Vale a pena ter lá o grande professor? Ele
não está para aturar aquilo… Portanto tem que haver uma agenda para
a Educação. Eu sou contra a autonomia das escolas. Isso é
descentralizar a «bandalheira».”
“Há dias circulava na Internet uma notícia sobre um atleta olímpico
que andou numa “nova oportunidade” uns meses, fez o 12ºano e agora vai
seguir Medicina… Quer dizer, o homem andava aí distraído, disseram
«meta-se nas novas oportunidades» e agora entra em Medicina… Bem ,
quando ele acabar o curso já eu não devo cá andar felizmente, mas quem
vai apanhar esse atleta olímpico com este tipo de preparação… Quer
dizer, isto é tudo uma trafulhice…”
“É preciso que alguém diga aos portugueses o caminho que este país
está a levar. Um país que empobrece, que se torna cada vez mais
desigual, em que as desigualdades não têm fundamento, a maior parte
delas são desigualdades ilegítimas para não dizer mais, numa sociedade
onde uns empobrecem sem justificação e outros se tornam
multi-milionários sem justificação, é um caldo de cultura que pode
acabar muito mal. Eu receio mesmo que acabe.”
“Até há cerca de um ano eu pensava que íamos ficar irremediavelmente
mais pobres, mas aqui quentinhos, pacíficos, amiguinhos, a passar a
mão uns pelos outros… Começo a pensar que vamos empobrecer, mas com
barulho… Hoje, acrescento-lhe só o «muito». Digo-lhe que a gente vai
empobrecer, provavelmente com muito barulho… Eu achava que não havia
«barulho», depois achava que ia haver «barulho», e agora acho que vai
haver «muito barulho». Os portugueses que interpretem o que
quiserem…”
“Quando sobe a linha de desenvolvimento da União Europeia sobe a linha
de Portugal. Por conseguinte quando os Governos dizem que estão a
fazer coisas e que a economia está a responder, é mentira! Portanto,
nós na conjuntura de médio prazo e curto prazo não fazemos coisa
nenhuma. Os governos não fazem nada que seja útil ou que seja
excessivamente útil. É só conversa e portanto, não acreditem… No
longo prazo, também não fizemos nada para o resolver e esta é que é a
angústia da economia portuguesa.”
“Tudo se resume a sacar dinheiro de qualquer sítio. Esta
inter-penetração do político com o económico, das empresas que vão
buscar os políticos, dos políticos que vão buscar as empresas… Isto
não é um problema de regras, é um problema das pessoas em si… Porque
é que se vai buscar políticos para as empresas? É o sistema, é a
(des)educação que a gente tem para a vida política… Um político é um
político. E um empresário é um empresário. E não deve haver confusões
entre uma coisa e outra. Cada um no seu sítio. Esta coisa de ser
político, depois ministro, depois sai, vai para ali, tira-se de acolá,
volta-se para ministro…é tudo uma sujeira que não dá saúde nenhuma à
sociedade.”
“Este país não vai de habilidades nem de espectáculos. Este país vai
de seriedade. Enquanto tivermos ministros a verificar preços e a
distribuir computadores, eles não são ministros! Eles não são pagos
nem escolhidos para isso! Eles têm outras competências e têm que
perceber quais os grandes problemas do país!”
“Se aparece aqui uma pessoa para falar verdade, os vossos comentadores
dizem «este tipo é chato, é pessimista»…. Se vem aqui outro trafulha
a dizer umas aldrabices fica tudo satisfeito… Vocês têm que arranjar
um programa onde as pessoas venham à vontade, sem estarem a ser
pressionadas, sossegadamente dizer aquilo que pensam. E os portugueses
se quiserem ouvir, ouvem. E eles vão ouvir, porque no dia em que
começarem a ouvir gente séria e que não diz aldrabices, param para
ouvir.
O Português está farto de ser enganado!
Todos os dias tem a sensação que é enganado!”
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