Eleições Europeias
14 Jun 2009 Deixe um Comentário
Eis os resultados definitivos das eleições europeias:
PSD – 31,68% PS – 26,58% BE – 10,74% CDU – 10,66% CDS – 8,37% Outros partidos: o PSD foi o partido mais votado, mas a esquerda venceu folgadamente as eleições;
–> uma eventual coligação PSD+CDS venceria por escassa margem (2,73%) uma coligação PS+BE, mas seria facilmente batida por uma coligação da esquerda unida (PS+BE+CDU) com um diferencial de 7,93% dos votos;
–> os dois maiores partidos (PSD + PS) continuam a atrair mais de 50% dos votos expressos nas urnas, mas em conjunto perderam 15,54% do eleitorado votante, em relação às legislativas de 2005;
–> a contracção do chamado “Bloco Central” revela uma radicalização política crescente da sociedade portuguesa;
–> o crescimento para quase 12% dos votos agora atribuídos a partidos sem representação parlamentar (crescimento de aproximadamente 140% desde 2005) leva a antecipar, caso tais votos não tenham sido predominantemente uma manifestação transitória de protesto, uma maior fragmentação do espectro partidário, uma maior dispersão dos votos e talvez a entrada de novos partidos no Parlamento;
–> o PSD apenas cresceu 2,92% em relação à votação obtida nas últimas legislativas (28,76%) e continua abaixo da sua média histórica (exceptuando do respectivo cálculo o período da coligação AD), que é de 35,01%;
–> o PS perdeu 18,46% de votantes, mas 15,54% deles deram o seu voto a outros partidos que não o PSD;
–> a votação agora obtida pelo PSD é percentualmente inferior à conseguida em todas as cinco eleições legislativas desde 1987, excepto as de 2005;
–> apesar das variações percentuais registadas pelos vários partidos, o BE foi o único que realmente cresceu em número de votos expressos (de 365.034 para 381.634); todos os restantes partidos perderam votantes em número bastante considerável (PSD: -527.270; PS: -1.644.891; CDU: -54.110; CDS: -118.488)
Notas prudenciais: como é óbvio, as conclusões acima enunciadas revestem-se de valor meramente indicativo e permitem apenas aferir superficialmente as reais tendências do eleitorado, não sendo legítimo extrapolar os resultados destas eleições europeias para arriscar previsões em quaisquer outras, nomeadamente nas legislativas, não só pela diferente natureza dos vários actos eleitorais como também pelas notórias variações nas percentagens de abstenção. Além disso, as eleições europeias e autárquicas são frequentemente utilizadas por um grande número de eleitores para exprimir o seu descontentamento ou protesto em relação às políticas conduzidas pelos partidos no poder, vindo depois a alterar o sentido do seu voto nas eleições legislativas.




