São só eleições – Miguel Esteves Cardoso

Ainda ontem – 20090907

Eu que já tenho perdido tanto – na política, então, nunca acertei – já nem preciso de atrevimento para desejar dois resultados improváveis.
Tenho vergonha do partido que era o meu: o PPM, que agora pertence a fadistas que não prestam, nem como fadistas nem como monárquicos. Tenho pena do partido que o substituiu: o MPT, que vai atrás de Pedro Santana Lopes, só porque Pedro Santana Lopes foi atrás dele. E, de repente, dou comigo a querer que o PS ganhe em Lisboa.
E, como se isso não bastasse de choque ideológico, dou comigo a querer que o PS ganhe também nas legislativas. Que mal têm as maiorias relativas? Não será altura de pôr fim ao culto do absolutismo? Que mal têm as coligações? As coligações são triunfos políticos: a melhor seria PS/CDS. A segunda melhor seria o PS/BE, caso os segundos se deixassem de peneiras, ou fossem menos espertos.
Veja-se o debate de José Sócrates com Paulo Portas. Admiram-se; entendem-se; são inteligentes. São os dois melhores políticos que temos. O PSD está em obras e seria feio falar dele neste momento difícil.
À esquerda, foi impressionante que o PCP de Jerónimo de Sousa tão pouco se distinguisse do BE de Francisco Louçã. O Bloco de Esquerda é apenas a Juventude Comunista que não teve humildade para ser. O melhor resultado possível, na minha opinião, seria uma maioria relativa do PS. Mas há outros bons resultados possíveis.
São só eleições: alguma coisa se há-de arranjar. É para isso que elas servem.

Publicado em:  on Setembro 7, 2009 at 11:28 am Deixe um Comentário
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