Défice divida Publica e outras propagadas demagógicas dos republicanos

Movimentos de população de Portugal para o exterior, devido a quê?

o Caro Tiago já respondeu aqui, vamos ás partes:

Segundo os cálculos apresentados, com reservas, por António Nóvoa, [a taxa de analfabetismo era de] 82,4% em 1878 e 79,2% em 1890. Também segundo esse investigador, baseado na documentação inédita de uma inspecção realizada em 1867, os alunos das escolas primária, apesar de um proveniência social heterogénea, tinham predominância urbana e pertenciam geralmente às «classes abastadas».

É um facto que antes de 1850 (de 1850 até 1900 o nº de escolas cresce 4 vezes), não havia uma rede coerente de ensino , só em 1835 é estabelecido o ensino primário gratuito.
Também é verdade que o ensino não chegava ao interior, mas esse facto merece uma explicação.

Mas a I Republica não contribuiu, antes piorou, o panorama da iliteracia em Portugal

Se em 1910 a taxa de iliteracia nacional era de 60,6%, nas cidades era de 40% e ainda havia o aspecto de 40% dos letrados exercerem uma profissão…uma profissão a sério e não como as actuais profissões, que não passam de um nome para esconder incapacidades técnicas

Aliás se assim não fosse não haveria tanta gente capaz de fazer bombas e armas a a partir do nada em 1910

A explicação para a iliteracia é simples, se de 1836 parte-se do virtual zero (seria uns meros 10% a ter educação primária) para 60,6% (valor extrapolado com base num decrescimento da iliteracia em 0,4 pp por ano) em 1910 isso é uma queda na iliteracia de 49%
Para além desse esforço houve uma opção estratégica (e única viável, porque apenas o Estado Novo resolveu o problema dos progenitores não considerarem o ensino relevante no futuro da prole…impediam-os de frequentar a escola, e esse cenário ainda é uma realidade) de criar e intensificar a rede de ensino primordialmente nas cidades porque seriam os focos de desenvolvimento e os únicos centros capazes de absorver as capacidades técnicas decorrentes do ensino

[b]A iliteracia contrariamente ao que muita gente pensa cresce durante a I República, pois passa de 60,6% para 66,2% em 1920 e em 1930 continuava acima do nivél do periodo do Rei D. Manuel II[/b]…é importante frisar este aspecto

Quanto à emigração, o caro Tiago (agradeço o gráfico, por acaso até gosto porque sintetiza)

Num país que era tão próximo dos países mais desenvolvidos da Europa e, por consequência, do Mundo, a taxa de emigração cresceu a olhos vistos na segunda metade do século XIX. Se calhar o PIB crescia muito, mas nem todos o sentiam. A velha história da igualdade e da falta dela.

A distribuição do rendimento era de facto desigual e decorria das incapacidades técnicas da população que emigrava (maioritarmente do interior e sem qualquer qualificação), a população do interior por e simplesmente não estava capacitada para o novo modelo de desenvolvimento.
Portugal não foi o único, Itália também exportou mão de obra desqualificada nos mesmos moldes.
Contrariamente à Republica que chegou a “proibir” a emigração (difcultou, cancelou documentação…etc), a monarquia facilitou a emigração porque sabia que a mão de obra não qualificada era útil em paises com moldes diferentes de desenvolvimento ,onde havia falta de gente (os então, Estados Unidos do Brasil, principalmente)
Repare-se que não havia quase emigração para Inglaterra ou Alemanha, ou qualquer outro pais desenvolvido

O Estado Novo percebeu esta realidade e foi por isso que se criaram redes de escolas técnicas (que actualmente são 6 e estão na falência!)…graças à 3 republica não há ensino técnico e os “iletrados” actuais são licenciados (a desadequação estratégica na Educação que a 3º republica abraçou)

Mas voltando à emigração…existem partidas e chegadas e se havia emigração também havia o contrário:

Photobucket
Como se pode ver a taxa liquida de migração mais do que triplicou (iam mas não voltavam…quem quer voltar para o caos?) e apenas o Estado Novo inverteu a situação (por pouco tempo)

Curiosamente estamos a niveis superiores do que no tempo de D. Carlos e D. Manuel II
…se como o caro Tiago disse a emigração aumentou a olhos vistos na Monarquia (é verdade),então, os olhos saltam das órbitas na República porque 1/3 da pop. sai do Pais nesse periodo

Como o gráfico mostra a Monarquia era para os contemporâneos mais atractiva do que a tempo actual

O caro Tiago disse:

Em resumo, durante a Regeneração e o Fontismo, assistimos a um desenvolvimento da indústria, mas com fortes limitações. O peso da indústria cresce, mas virada principalmente para o mercado interno. Desenvolvem-se as industrias ligeiras e tradicionais – com excepção da cortiça e conservas -, com fraca competitividade internacional. O peso do artesanato e da manufactura continua a ser muito grande e verifica-se uma situação curiosa: os sectores mais modernos e tecnicamente aperfeiçoados trabalham para o mercado interno, enquanto os sectores onde predominam as formas e técnicas artesanais ligadas *a matéria-prima nacional são os que mais facilmente exportam.

concordo, mas era inevitável .Querer competir logo à partida é impossivel, em 1936 nem havia uma ligação viável entre o Norte e o Sul no Inverno, quanto mais comboios e portos capazes de exportar
Aliás este cenário da produção para mercado interno ainda é uma realidade

Défice divida Publica e outras propagadas demagógicas dos republicanos

Claro que comparar o tempo de D. Maria II, com a época actual é um critério fraco e não explica o porquê de , se naquela epoca ainda poderiamos ter alguma capacidade cometitiva com a Europa desenvolvida, hoje estarmos muito afastados e com quase as mesmos problemas estruturais.

É preciso ter em mente que ,contráriamente ao resto de Europa, tivemos uma séria guerra cívil entre 1828-1834 e uma politica de Liberalismo extremo até 1842.Neste periodo houve nada mais nada menos que 18 governos

Porquê 1842?

Convém ter em mente que actualmente (16 de Janeiro de 2009) o nosso Primeiro ministro espera um défice público de 3% (o que é excelente)…pois em 1842 o governo cai porque o défice publico atinge a exorbitância de 2,3% (o défice Público médio entre 1833 e 1844 seria de 0,9%).É isto que costuma aparecer nos livros, mas de facto nesse ano até houve uma expansão do PIB de 6% (convém lembrar que actualmente esperamos crescimento negativo para 2009)
Claro que o crescimento médio (neste periodo) do PIB foi de apenas 1%, devido a severas recessões e instabilidade politica, mas curiosamente houve em média uma queda no preços (deflação) de 0,7%

Convém lembrar que em todo o periodo da Monarquia Constitucional o défice público nunca altrapassou a actual marca (que advém do actual Pacto de Estabilidade e Crescimento, acordado entre os membros da UE)dos 3%

Photobucket

défice Público

Observando o gráfico acima , pode-se observar que a divida pública criada (no gráfico em baixo) não advinha do excesso de gastos (défice publico) , mas sim do peso das taxas de juro.
A instabilidade provocada, ora por radicais de esquerda (D. Maria II) ora por republicanos (D. Carlos e D. Manuel II) aumentou o risco junto dos principais financiadores externos do Estado português que por sua vez nos exigiam garantias cada vez mais pesadas e taxas de juro cada vez maiores.Aliás o mesmo problema acontece agora (2009) com o “rating” da empresa de consultoria S&P (standard & Poor´s) que colocou Portugal na lista de “clientes a quem não se deve emprestar dinheiro”…como é óbvio a taxa de juro irá aumentar , já que existe sempre quem empreste

Em 1842 a Rainha D. Maria II empossa um governo dictatorial (governar por decreto e não com o exercito atrás das costas como é práctica republicana) em Costa Cabral e os problemas da Divida Pública começam…ainda hoje permanecem

Embora o PIB continue a crescer por mais 2 anos o governo de Costa Cabral propõe-se a instaurar um Plano de Fomento que capacite o País das infraestruturas necessárias ao novo modelo de crescimento económico chamou-se a “regeneração”
Um plano de financiamento mal feito (junto de privados e com altas taxas de juro)que incapacitou o Estado financeiramente durante largas decadas

A usual instabilidade social (que incluiu um movimento a favor de enterros dentro das igrejas-o que era insustentável e contrário ás novas regras de higiene pública…mas quando se trata de politiquice a razão não interessa) provocou a queda politica de Costa cabral

Photobucket

Como a imagem demonstra, não havia um problema de excessivo endividamento antes de 1910 e a I República não o resolveu.Muito pelo contrário inverteu a tendência de redução da Divida Pública que vinha desde D. Carlos.
A II República resolveu de facto o problema do peso dessa divida e foi um dos grandes feitos do Estado Novo

…..

bem haja

Os malandros dos Braganças….

Ainda a questão da Monarquia Vs [pseudo] Republica, que entretanto esmoreceu e eu entendo o porquê…primeiro debita-se a cartilha (3 ou 4 frases chave) e depois fingimo-nos mortos para fazer da ausência uma reflexão profunda do passo seguinte e principalmente, não deixar ninguém perceber que afinal…desconhecemos o assunto

Li por aqui ou noutro blogue a afirmação:

à data do fim da Monarquia, éramos um dos países com maiores taxas de analfabetismo da Europa – actualmente não -, éramos industrialmente atrasados e atente-se que foi no tempo da Dinastia Bragantina (1640-1910) que perdemos o combóio europeu, depois de termos sido uma super-potência mundial.

Eu cá ando à espera que o caro Tiago desencante as ditas estatisticas ou números para sustentar a afirmação… certamente já percebeu que não existem.

Mas eu passo a explicar detalhadamente a aberração da afirmação: comecemos pelo “comboio”, que como sabemos não foi inventado em 1640 mas teve um nascimento industrial nos primeiros 20 anos do sec XIX, portanto aí têm 2 gráficos que identificam a tendência (filtro Hodrick Prescott) do PIB per capita médio (dos paises do gráfico superior) em relação a Portugal:

Photobucket
A ideia é simples…quanto mais próximo do valor 1 ,mais próximo estamos do nível de vida médio dos paises considerados.É um gráfico que lida com uma realidade dinâmica que compara a evolução do PIB/capita português com o PIB /capita das economias mais dinâmicas.

Houve três periodos de aproximação ao Nível das economias desenvolvidas entre 1860 e 1890 (30 anos,com uma taxa muito elevada de crescimento no principio da decada de 80 do sec XIX, ainda não repetida até hoje), 1925 e 1938 (13 anos do ínicio do Estado Novo)e novamente de 1950 até hoje,mas nenhuma dessas evoluções nos aproximou do nivel de 1820 e só em 1970 atingimos o nível de 1890.

Se notarem estavamos mais próximos da riqueza dos paises desenvolvidos em 1820 do que actualmente… quase 200 anos !!!!!!!!!!, e não arrisco muito com uma extrapoloação de mais 1 anos porque entramos em recessão com uma 3º República mais gasta do que um pneu velho.

Estivemos entre 1820 e 1890 2 vezes a um nivél de quase paridade e apenas há meia duzia de anos é que voltamos a ter o mesmo nivél de vida (relativo) que havia no tempo de D. Maria II.

Acho que nem vale a pena falar do contributo da 1º república porque acho que o gráfico evidência isso muito bem. Mas há mais… ainda falta de 1820 para trás!

bem haja

O gráfico foi retirado do livro “economia portuguesa” de João Cesar das Neves

JOSÉ LUIS NUNES – dirigente histórico do PS

Eis a que terá sido, possivelmente, a sua última entrevista. Ao Monarquia do Norte, da Real Associação do Porto (Março/1998):
1 – Monarquia e socialismo democrático: é verdade que entre ambos não existe entendimento possivel?
R. - Os países onde os partidos social-democratas são os que têm mais profunda base eleitoral são os países monárquicos.
A questão não teria sentido posta a um norueguês, sueco ou dinamarquês.
Assim como não teria sentido posta a um inglês – Tony Blair é um monárquico – ou a um holandês. Ou a um belga… ou, ainda, a um luxemburguês ou a um espanhol. Quando Santiago Carrillo agradece ao seu Rei…
Na Europa, social-democracia e monarquia entendem-se bem… Muito bem até…
De resto, o Rei não descrimina os cidadãos por nenhuns motivos, principalmente por razões ideológicas…
Em Portugal, nos seus primórdios o Partido Socialista manteve-se alheio ao debate monarquia/república, que não considerava prioritário ou essencial.
2 – A Família Real é, no presente, uma mera referência do passado?
R. - Na vossa questão o essencial é a expressão “referência”.
Diria ser a família real uma referência no passado, no presente e no futuro. Como poderá tal referência adquirir relevância no plano institucional é uma outra questão.
3 – Monarquia em Portugal: a questão está definitivamente encerrada?
R. Não existem “conquistas irreversíveis, nem questões “definitivamente” encerradas.
A História faz-se todos os dias e não tem fim, pois não é uma entidade fixa, cindível em compartimentos ou momentos estanques, mas uma convergência de integrantes transformadoras.
Só o futuro dirá como vai ser o futuro…
Uma vez mais, a homenagem de um homem de Direita, livre, a outro homem de Esquerda, livre também.
Publicada por João Afonso Machado, Blog Centenário da República

Considerações sobre a Polís do Catano

Sinto-me sortudo por ainda ter um avô vivo que viu tanta coisa, entre elas o funeral de El Rei D.Manuel II. Sentiu-se atraído pela política e pela monarquia quando jovem, ou não fosse o pai dele uma pessoa muito conhecida em Lisboa para além de um ultra simpatizante de Sidónio Pais. A pesar dos seus 94 anos e da sua saúde com o peso da idade, a pesar da sociedade em que vivemos condenar os velhotes ao caixote do lixo que são os lares e que não se aplicam a ele, não deixo de ouvir as suas sábias palavras.
Disse-me um dia que o problema que se põe hoje já se sentia na década de 30 depois da instauração do Estado Novo, depois do falecimento de D.Manuel II, há sempre uns que se acham superiores e acham que têm de mandar nos subalternos, viu isso nas organizações onde esteve metido e por isso destruiu os seus registos políticos e abandonou a vida política. O problema é transversal segundo ele, os republicanos políticos de gabinete também gostam de trabalhar em palácios porque se julgam superiores à plebe da menina do peito ao léu.
Como  há mais de 70 anos no tempo do meu avô penso que só poucos admitem hoje que só através do Povo e com a ajuda do Povo alguma vez se chegará a bom porto. O país está a atravessar uma Crise sem precedentes, se só 76% da população activa desconta onde estão os 11% de desemprego ? Quem dará esperança aos 24% de desempregados do Povo e não só ? Sim porque ninguém pode dizer que desta água eu não beberei, mas o Povo sempre esteve habituado à crise diária de contar os trocos … não se humilha em suicídios cobardes ou em golpes financeiros. Quem pode mudar o destino deste país só pode ser o Povo simplesmente através de um Voto ! Já não existe a fantasia aristocretiniana de fazer um golpe de estado e instaurar um regime monárquico à força, nem SAR D.Duarte o permitiria, é impensável numa União Europeia. Quem pode dar Esperança ? Quem pode alimentar um alma que não tem nada para alimentar o seu estômago ? A resposta é simples …

O REI

p.s. : as melhoras sr.professor Adelino Maltez, Abraço

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 659 other followers