D.Duarte de Bragança – Mensagem de 1 de Dezembro de 2010
30 Nov 2010 Deixe um Comentário
Na perspectiva histórica de um País com perto de 900 anos, o penoso caminhar numa crise comparável à vivida nos tempos da I República cujo centenário este ano faustosamente se comemorou, permite-nos retirar diversas conclusões.
Comecemos pela circunstância de a República, fundada pela força que derrubou um Regime Democrático, nunca, até aos nossos dias, haver sido legitimada pelo voto popular.
Significativo é, também, o facto de o regime republicano, nas suas várias expressões, não ter tido capacidade para resolver nenhum dos problemas de que acusava a Monarquia e o facto de que as Democracias mais desenvolvidas e estáveis da Europa serem Monarquias.
As nossas três Repúblicas do séc. XX nasceram de três golpes militares após os quais os governantes se lançaram a reorganizar a sociedade, com os resultados que agora estão à vista.
Como herdeiro dos reis de Portugal, eu represento um outro princípio, o princípio da liberdade e não o da coerção. Chegou a hora de a sociedade livremente dizer que Estado quer. Em vários reinos do Norte da Europa ouvi destacados políticos afirmarem que “vivemos em República, mas o nosso Rei é o melhor defensor da nossa República”.
Deixo aqui uma mensagem aos monárquicos, aos convictos que, hoje, são a minoria mas, segundo as sondagens, serão a maioria no futuro que se aproxima.
Quero lembrar que essas sondagens chegam a referir 20%, 30% ou 40% de monárquicos, conforme as perguntas são feitas, percentagens tanto mais valiosas quanto resultam da escolha de pessoas livres e não de propagandas de partidos ou de movimentos sem transparência.
Quero agradecer-vos a generosidade, o entusiasmo, e a dedicação quando içam nas ruas a bandeira das Quinas com a Coroa e quero dizer-vos que continuarei a acompanhá-los, como sucedeu no 5 de Outubro em Guimarães, o dia da independência nacional.
A situação humilhante em que a Nação se encontra perante nós próprios e a comunidade internacional obriga-nos a reflectir sobre novos modelos de desenvolvimento económico e de vida em sociedade, inspirados no bem comum.
Com efeito, a expectativa inicial do projecto europeu que a generalidade dos membros abraçou e que se assumiu, na sua origem, como um projecto de cooperação entre Estados – com os mais ricos a ajudarem os mais pobres – corre o risco de passar, rapidamente, de miragem a tragédia, com os mais fortes a ditarem regras e a impor sanções aos mais vulneráveis.
Neste contexto de incerteza e preocupação, são, por isso, cada vez mais as vozes autorizadas que preconizam a necessidade da reforma do modelo de desenvolvimento económico global. A reactivação estratégica de uma agricultura sustentável e ecologicamente equilibrada é fundamental para enfrentarmos com segurança os desafios actuais, como há pouco tempo lembrou o Papa Bento XVI .
Precisamos de um novo modelo para conseguir maior felicidade e bem-estar com menor desperdício de recursos, que deverão ser melhor e mais justamente partilhados, para que a ninguém falte o essencial.
Havendo tantas necessidades de apoio às populações seria desejável dinamizar as antigas tradições de voluntariado, recorrendo também aos serviços dos beneficiários de subsídios do Estado, como condição para receberem esses subsídios. Receber subsídios sem dar a sua contribuição para a sociedade equivale a receber esmolas, o que não é bom .
Portugal não pode cair no desânimo a que nos conduzem os constantes e confusos acontecimentos políticos nacionais amplamente noticiados.
É fundamental acreditar no Futuro e partilhar Esperança, nunca nos esquecendo de onde viemos e para onde queremos ir.
Para isso há que cultivar os exemplos de competência, seriedade e coragem na defesa de ideais, combatendo a falta de autenticidade que, infelizmente, constitui uma das mais comuns e perversas características do nosso tempo.
Quem está na Política deve ter como primeiro e último objectivo SERVIR a Pátria e, em particular, permitir a valorização dos mais desfavorecidos.
E para esta valorização ser possível, teremos de repensar todo o nosso sistema educativo, do pré-primário ao superior, adaptando os cursos às necessidades profissionais actuais e futuras e criando – com suporte da rede de ensino privado e cooperativo – condições às famílias com menos recursos para poderem escolher os estabelecimentos que gostariam que os seus filhos frequentassem, sem que tal venha a implicar aumento de encargos para o Estado.
Tenho visitado muitas escolas onde me explicam que os programas são desajustados às realidades actuais e às saídas profissionais, e particularmente aos jovens com problemas de adaptação. O “ Cheque Ensino” seria uma solução para estes problemas, permitindo às famílias escolher a oferta escolar mais adaptada às necessidades dos seus filhos, evitando a discriminação económica actual e promovendo a qualidade do ensino através de uma saudável concorrência…
Só desta forma conseguiremos melhorar efectivamente o nível médio cultural, académico e profissional da população com vista ao progressivo desenvolvimento e engrandecimento do País e não com fim exclusivamente estatístico.
Na sua longa História, Portugal foi grande quando se lhe depararam desafios que envolveram projectos galvanizadores de verdadeira dimensão nacional. Nessas alturas, os portugueses sempre souberam responder com criatividade, entusiasmo e coragem.
Hoje, é no Mar e na Lusofonia que a nossa atenção deve ser focada como áreas de eleição para realizar um projecto de futuro para o País e para a Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa. Afinal, são estas duas vertentes que, desde o início da Expansão Marítima Portuguesa, com períodos de maior ou menor brilho, maior ou menor envolvimento, têm vindo a constituir o nosso Desígnio.
O prestigiado Jean Ziegler, meu professor em Genebra, ensinava que existem dois caminhos para desenvolver os povos. O primeiro começava pela educação profissional, académica e ética da população , que iria desenvolver o país e conduzi-lo ao enriquecimento. O segundo caminho consistia em injectar dinheiro estrangeiro na economia. Os governantes criariam grandes infra-estruturas, enriquecendo-se alguns deles no processo, e a população compraria bens de consumo importados, enriquecendo o comércio. Mas no fim, essa nação estaria endividada e a classe média empobrecida porque as capacidades de produção teriam diminuído.
Infelizmente é esta a nossa realidade recente.
Deixo para os especialistas apontarem os factores da crise que nos fustiga, fazerem os diagnósticos acertados, apontarem as vias de solução. Mas não posso deixar de dizer que é urgente arrepiarmos o caminho que nos trouxe à gravíssima crise económica e financeira que atravessamos, como venho denunciando desde há anos.
Foi justamente neste sentido que, este ano, pela segunda vez, promovi, no âmbito da Comissão D. Carlos 100 Anos, a organização do Congresso “Mares da Lusofonia”que permitiu uma participada reflexão, com representantes de todos os Países da CPLP presentes, acerca da valia dos mares e das Plataformas Continentais dos países lusófonos nas vertentes estratégica, de segurança, jurídica, ambiental, científica, tecnológica e económica.
A intensificação do intercâmbio de conhecimentos da sociedade civil e o fortalecimento das relações afectivas entre os nossos países contribuirá decisivamente para a supressão das barreiras que ainda existem.
Recentemente visitei o Brasil, pátria de minha Mãe, onde, em Brasília, tive a feliz oportunidade de contactar alguns membros do seu Governo.
Transmiti os meus sinceros votos de sucesso à recém-eleita Presidente Dilma Russef .
Percebi que lá existe uma grande abertura à ideia de uma futura Confederação de Estados Lusófonos, que muito beneficiaria todos os seus membros e cuja adesão não comprometeria as alianças regionais existentes. O facto do Reino Unido pertencer à Commonwealth não prejudica a sua participação na União Europeia mas valoriza-a .
Ainda sobre a importância da afectividade que naturalmente se cultiva na Comunidade Lusófona, virá a propósito salientar a decisão do Governo de Timor – país a que me ligam relações de profunda amizade – quando, à semanas, declarou o seu auxílio a Portugal na compra de parte da nossa dívida pública, num gesto de fraternal amizade. Do mesmo modo, tenho indicações de que muito nos beneficiaria negociar com o Brasil um empréstimo para resolver a crise da dívida pública soberana em melhores condições do que com o FMI ou a Europa.
Para concluir, gostaria de transmitir a todos os portugueses uma mensagem de ânimo:
Não vos deixeis abater pela situação de dificuldade económica e crise moral que actualmente nos invade.
Lembrai-vos que tivemos momentos bem mais graves na nossa História em que a perenidade da Instituição Real foi suporte decisivo para a recuperação conseguida.
A dinastia, baseada na família, oferece o referencial de continuidade de que Portugal está carente há cem anos.
Viva Portugal!
Portugal e Espanha
26 Nov 2010 Deixe um Comentário
Infelizmente há muita gente que pensa que se “isto tudo fosse de Espanha estaríamos muito melhor”, penso que essas “pessoas” não fazem noção do que é viver actualmente em Espanha.Tenho amigos que vivem lá neste momento e posso dizer que está muito difícil para os mais jovens sobreviver e não viver, apartamentos custam 1500 euros de renda mensal ou seja o salário de um jovem licenciado, o desemprego é de 24% nos mais jovens . Como sabe e mesmo antes de 1910 já era assim, o português tem a mania do que é estrangeiro é melhor do que é português, Eça de Queiroz bem criticava abertamente essa mentalidade. Há sinais de Espanha neste momento que indicam que é melhor nem sequer estarmos juntos com ela, veja esta notíciahttp://economia.publico.pt/Noticia/espanha-podera-ser-a-proxima-vitima-dos-mercados_1468251, a crise económica pode chegar mais depressa a Espanha do que a Portugal e depois eu pergunto ? Afinal agora é bom pertencer a Espanha ?
Acontece hoje que os jovens não querem saber de muita coisa, não querem saber dos políticos, não acreditam na religião, não têm ideais … Mas é curioso verificar as reacções de muitos quando se fala de Monarquia e principalmente quando vêem a Bandeira da Monarquia Constitucional, constatei isso na rua a um mês do centenário. Há um mérito que se pode tirar da comemoração do Centenário da República, deu-nos espaço para discutir o regime e obrigar as pessoas a procurar respostas, conseguiram dividir o país com 37% de pessoas contra a republica e 11% do eleitorado do PCP é monárquico e 12% do eleitorado do BE também. Como webmaster que sou do projecto Realistas e do site Causa Monárquica http://causamonarquica.com vi nas estatísticas os assuntos mais procurados, o assunto da Última bandeira da Monárquica tinha dezenas de entradas diárias o que significa que as pessoas interessavam-se, vi isso na rua.
A Crise e o Orçamento de Estado abafou as comemorações do Centenário, ninguém falava de outra coisa, ninguém queria saber da republica e sinal disso foi a falta de adesão do público como todos vimos. Pessoas como Francisco Louçã ficaram chocadas como havia muitos monárquicos a participarem cívicamente e politicamente, isto significa que têm medo de nós porque se não diziam como durante muito tempo disseram que nós éramos meia dúzia sem expressão política.
As pessoas neste momento preocupam-se em como pagar as contas ao fim do mês, não querem saber dos políticos porque eles neste momento não lhes dão Esperança. Sim Esperança, num momento tão difícil para a Pátria precisamos de um novo D.Nuno de Álvares Pereira para conduzir o país … e não vejo ninguém em acções de formação de 5 em 5 anos a ter este papel, estou a falar do Presidente da República. A mim choca-me sair no Diário de Aveiro que estão contabilizados 60 sem-abrigos, mas a verdade é que na rua eu não os vejo em Aveiro minha cidade, só vejo romenos a pedir não porque precisam mas porque fazem disso vida … Quem precisa mesmo e tem fome tem dignidade, não é capaz de andar a pedir, e esses são os que mais sofrem.
Rui Monteiro
Debate D.Duarte vs Mário Soares – Monarquia vs República
22 Nov 2010 Deixe um Comentário
Fonte : RTP
Resposta a um pançudo fascista
17 Nov 2010 Deixe um Comentário
De vez em quando encontramos pessoas na internet no seu melhor … ou melhor … no seu pior, chega de tiques fascistas como ESTE. Respondido à letra e à velha maneira portuguesa da seguinte forma :
“Pinto Resende
Lindo Post mas se formos a expremer o sumo está podre a laranja. Nos últimos 100 anos vimos aristocretinos de todos os calíbres, neo-republicanos, neo-monárquicos, fascistas, racistas, enfim … é só escolher. Com o cair da Monarquia Constitucional o ideal monárquico na generalidade voltou à Idade das Trevas, em vez de se preocuparem com o bem da Nação preocupavam-se com o bem deles claro … Assim nasceram correntes de pensamento fascistas neo-monárquicas e correntes de direita a reclamarem a Monarquia para eles. Claro que houve sempre quem lutasse pela democracia e não suportasse esses marialvas depenados na sua maioria, mas a verdade é que para que esses marialvas depenados como o Pinto Resende podessem falar e escrever hoje foram também Monárquicos Democratas que ajudaram para que isso fosse feito.
As monarquias constitucionais europeias há bastante tempo que já perceberam que para sobreviverem não podem de forma alguma virar as costas ao Povo, a Coroa é o filtro das preocupações do Povo. Cá em Portugal continuam a existir monárquicos da treta que ainda sonham em recuperar os títulos dos tetra-avós para de uma certa forma ganharem o euro-milhões, ou seja uma forma xenófoba de se auto-proclamarem donos de Portugal.
O problema da Monarquia Constitucional em Portugal foi não ter feito o que o Rei da Noruega fez no séc.XIX, acabar com a aristocracia, assim passou o Povo a ser um só, assim acabavasse o paleio a estes marialvas depenados. O POVO quer o Rei, não quer os aristocretinos, o POVO tem várias religiões e ninguém tem o direito de impor algum credo porque vivemos em Democracia.
Se Democracia é símbolo de republica então a Inglaterra a Democracia mais antiga do mundo não seria a Monarquia que tem servido de exemplo e aspirações a muitos.
Novamente o Pinto Resende é daqueles fascistas que gostam de olhar para o umbigo mas como a pança de boa vida é tanta já o umbigo deixou de se ver, assim é a mesma visão que o Pinto Resende tem de Portugal … ou melhor a vida boa já o cegou por completo. O Pinto Resende não entende o maior problema de Portugal nos últimos 30 anos que é produzir, não entende que gastamos mais do que produzimos, não entende que por casa doi s bebés que nascem há um idoso, não entende que o país tem de encontrar formas de se tornar autosuficiente e produzir riqueza.
Não me venha com histórias de Salazar e afins, esse pulha que fez mais pela republica do que outro qualquer, o mal de Portugal sempre foi o mal da Selecção Nacional de Futebol gostam de fazer as prórprias contas às custas das desgraças dos outros.
Está na altura de Portugal aproveitar os laços históricos de forma a fortalecer os laços económicos, nada melhor que o Chefe da Casa Real para unir do que um presidente que de 5 em 5 anos vai para acções de formação e que não é símbolo nenhum … até porque a esmagadora maiora nem o conhece fora de Portugal.
SAR D.Duarte de Bragança tem lutado muito mais pela união dos povos de língua portuguesa do que os republicanos, até Salazar virou as costas a África … nem fez uma única visita às colónias.
O Pinto Resende devia ir evangelizar as gaivotas para as Berlengas … talvez tenha mais sorte lá.
VIVA D.DUARTE
VIVA PORTUGAL”
Mensagem de esperança de S.A.R. o Duque de Bragança a Dilma Rousseff, Presidente eleita do Brasil
16 Nov 2010 Deixe um Comentário
Da redação: Dom Duarte, é considerado um homem de mentalidade muito aberta e sempre foi simpático ao governo de Lula. Durante a campanha foi ao Brasil e tentou um encontro com Dilma para manifestar seu apoio.
Dom Duarte é o chefe da Casa Real portuguesa, descende também de Dom Pedro II e, ao contrários dos Orleans e Bragança que moram no Brasil, é um homem progressista.
Entre outras iniciativas de Dom Duarte destaca-se a de“Presidente da Campanha “Timor 87”, onde desenvolveu atividades de apoio a Timor e aos Timorenses residentes em Portugal e noutros países, iniciativa que teve o mérito de dar um maior destaque à Causa Timorense.
Sob a presidência do Senhor Dom Duarte participaram dessa campanha numerosas personalidades notáveis de diferentes quadrantes da sociedade portuguesa da altura, conseguindo-se a construção de um bairro para Timorenses desalojados.”
O interesse de Dom Duarte e dos seus amigos é que Portugal tenha com o Brasil uma aliança estratégica, como a Inglaterra tem com os Estados Unidos, afastando mais Portugal dos EUA, uma tendência que cresce em Portugal e deveria ser explorada.
Fonte: Sítio Oficial do Partido dos Trabalhadores www.pt.org.br
Carta ao Eurodeputado Capoula Santos
06 Nov 2010 2 Comentários
Caro camarada Capoula Santos
Li o seu artigo sobre o Centenário da República, no Jornal Montemorense, vou começar pela sua alegação de que não sabe como vai acabar a 2º República, então não sabe como acabou ? Não me diga que de 1928 a 1974 não foi uma república, se não foi eu gostava que me respondesse a esta perguntar elementar que o miúdo que fala na notícia já deve saber melhor “Se o Estado Novo não era uma república quem era o Rei ?” Vivemos na 3ª República por muito que custe ao caro deputado e a outros militantes do Partido Socialista. Como militante do Partido Socialista que sou há 16 anos nunca alinhei e nunca me vou deixar alinhar pela cultura da política “adesiva”, como um profundo amante da História de Portugal ao longo dos anos aprofundei-me sobre o assunto no Portugal do Séc.XIX/XX.
É fácil justificar o Portugal de antes de 1910, mas justifique-me os estudos económicos como este : http://esquerdamonarquica.wordpress.com/2010/09/20/defice-divida-publica-e-outras-propagadas-demagogicas-dos-republicanos/
O Portugal Republicano de 1910 a 1928 afundou de tal maneira a economia que em 1920 o PIB era de -27% ! Morreram milhares de militares em La Lys na 1ª Guerra quando o Corpo Expedicionário Português foi abandonado pelo Governo Português e pelo carrasco Afonso Costa que os mandou para o campo de batalha em nome do prestígio perdido pelo facto de deixar de ser uma Monarquia, os republicanos não falam que o CEP era a única unidade militar na 1ª Grande Guerra sem logística e sem rotatividade de pessoal no campo de batalha ( os ingleses depois de 6 meses iam para casa ). Sidónio Pais subiu ao poder como resposta ao descontentamento da população com a República e foi o primeiro presidente votado por sufrágio universal depois de 1910, mas os republicanos descontentes mataram-no … Houve a Monarquia do Norte porque grande parte das Forças Armadas Portuguesas já não se reviam no ideal republica que os traiu no campo de batalha se não fosse a Guarda Pretoriana a GNR e os neo-FP-25 da Carbonária teria sido o destino diferente. O Grande Gago Coutinho nessa altura deixou de acreditar na republica assim como tantos que antes de 1910 acreditavam na utopia, Agostinho da Silva e mesmo Homem Christo. Utopia que o Partido Republicano Português nunca conseguiu resolver porque nunca teve discurso económico, se o Povo estava mal em 1910 ficou cada vez pior, ninguém comemorou a perseguição a Sindicalistas, ninguém comemorou as técnicas neo-nazis que usavam para medir crânios,, ninguém falou nas perseguições, mortes e prisões de religiosos e religiosas.
Economicamente foi o pior período, o preço do pão aumento 21 vezes de 1910 a 1926, será que era a culpa ainda do Rei que não governava mas sim reinava até 1910 ? Em 1910 Portugal já tinha recuperado com sucesso a Banca Rota de 1891 em consequência da crise mundial fomentada pela perda da Monarquia no Brasil ( historicamente documentado ). O Povo era pobre pois era mas não votou a República, a esmagadora maioria das pessoas fora de Lisboa e Porto não eram republicanos … tanto que a imposição desta só lhes chegou por telégrafo.
Democracia ? onde ? se em 1910 em Monarquia o universo eleitoral era de 800 mil pessoas a Constituição Republicana de 1911 era tão “democrática” que cortou o universo para 400 e tal mil onde só podiam votar os chefes de família letrados, analfabetos e deficientes eram lixo. As mulheres como sempre falou-se muito delas … mas eram só para procriar porque nem sequer o direito ao voto tinham. E então a política colonial republicana ? não se comemorou ? Só interessa falar do que é conveniente … mas legitimaram o professor de finanças ir para o poder porque já ninguém conseguia controlar o descalabro em que Portugal se tinha metido.
Razão tinha o camarada Antero de Quental, dizia que a República era uma loucura, Oliveira Martins dizia que era a Ibéria e Castela … e eram Socialistas. Era bom que os socialistas de hoje soubessem bem as origens do Socialismo em Portugal e que nunca confundissem com republicanismo, os socialistas de Antero queriam resolver os problemas da sociedade e nem queriam saber do problema de regime. É este o Socialismo em que me revejo, penso que por vezes é necessário voltar às origens para entender a verdadeira razão de ser do que queremos e o que desejamos. Sinto com algum contentamento verificar que há muitos camaradas socialistas monárquicos como eu, tenho pena é que não tenham a coragem de se afirmarem publicamente … alguns iam perder os cargos políticos que já têm.
O História não se repete mas pode ter certeza de várias coisas, depois de uma crise económica grave vem sempre : fome, miséria, revoluções, guerras … foi isto que os últimos 100 anos deram à Europa. Foi assim em 1910, 1928, 1974 … crises económicas seguidas do que já sabemos, que não matam a fome, não dão emprego e nem pagam as contas. É fácil falar na Liberdade mas essa acaba quando põe em causa a Liberdade dos outros, não há Liberdade quando não dinheiro para alimentar um estômago, não há Liberdade quando se tem um contrato precário, não há Liberdade quando não há Justiça Social … aliás somos os campeões segundo a OCDE em 2008 somos o 27º !
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