DECLARAÇÃO DO DEPUTADO LUÍS COIMBRA NO PARLAMENTO EM 31/01/1980


O Sr. Luís Coimbra (PPM): – Sr. Presidente, Srs. Deputados: Ao ser aqui evocada a tentativa revolucionária do 31 de Janeiro, o Partido Popular Monárquico não pode deixar igualmente de referir o significado desta data.
Portugal vivia em 1891 ainda sob a indignação provocada pelo ultimato que ameaçava o nosso Império Ultramarino e – ironia do destino – no próprio dizer desse notável causídico republicano que foi João Chagas, tinha sido, aliás, este acontecimento «… a causa única do movimento revolucionário do Porto, que sem ele nem encontraria medo idóneo em que se consumasse, nem agentes que o provocassem».

Nesta data, saudamos, porém, simbolicamente, nas pessoas do alferes Malheiro, de Basílio Teles, de Sampaio Bruno, do Dr. Alves da Veiga, de Miguel Verdial a Santos Cardoso, a inteligência, a argúcia política, a própria irreverência dessa geração de republicanos impolutos.

Todos eles acreditavam, de acordo com as suas convicções, que a implantação da República seria a melhor maneira de redimir a Pátria da incapacidade e inépciareveladas por muitos dos políticos de então, de a libertar da corrupção quese instalara na administração pública, da confusão generalizada, estupidamente tantas vezes assacada aos «excessos» de liberdades que a monarquia constitucional proporcionara.
Triste ilusão!
Os homens do 31 de Janeiro não podiam prever que passados dezassete anos da sua tentativa revolucionária e em nome dos seus «ideais, um chefe do Estado e um grande português – el-rei D. Carlos I -, fosse barbaramente assassinado por dois energúmenos, faz amanhã, dia 1 de Fevereiro, setenta e três anos acontecimento esse, que como os Srs. Deputados sabem, na altura enlutou a Nação inteira.
Os homens do 31 de Janeiro não podiam, de facto, prever que em tão curto espaço de tempo de vigência do regime pelo qual se tinham batido, e sob de, Portugal viesse a sofrer o mais longo período de ditadura que a nossa história de oito séculos de liberdade regista.
Desinteressadamente esses homens valorosos do 31 de Janeiro, prelúdio do 5 deOutubro de 1910, arriscaram a vida apenas movidos pelos seus ideais, tal como muitos daqueles que em 16 de Março de 1974 avançaram das Caldas da Rainha para Lisboa em busca de um 25 de Abril traído pela revolução do quase-nada e das reformas de coisa nenhuma.
E estes, e aqueles que hoje evocamos, não podiam igualmente prever as arbitrariedades, a corrupção, as mentiras, a falta de patriotismo quando não a traição que tem caracterizado em muitos aspectos os últimos anos do regime implantado em 1910.
Mas a História acontece e só acessória ou posteriormente se faz dela juízo,
Por isso, a todos os adversários ou até mesmo aos nosso aliados que estão convictos dos seus ideais e da grandeza das suas intenções, como era o caso dos revolucionários do 31 de Janeiro, nós, populares monárquicos, manifestar-lhes-emos sempre a nossa consideração, já que é também pelo seu exemplo que cimentamos a certeza da razão do nosso combate, por um Portugal mais livre, mais justo, mais próspero e mais universalmente português. E daí, Sr. Presidente e Srs. Deputados, a nossa homenagem sincera aos homens do 31 de Janeiro de 1891, efeméride aqui hoje evocada.
(Fonte: Somos Portugueses)

Tem a palavra o sr. Deputado Luís Coimbra! ( em resposta a António Vitorino)

À medida que se aproximava a oportunidade da revisão constitucional de 1982 a Aliança Democrática debatia a necessidade de desprogramatizar e desideologizar a Constituição. A 1981-06-11 Barrilaro Ruas (PPM), defende que a Constituição adopte formas de democracia directa de natureza referendária. Borges de Carvalho coloca a opção entre a democracia pluralista ou socialismo obrigatório. António Vitorino (UEDS) responde a Borges de Carvalho, que a Frente Republicana e Socialista quer uma alternativa democrática e progressista ao poder liberal-conservador da AD e há uma ideia fundamental da Constituição que quer preservar: é a República por muito que isso não agrade ao Grupo Parlamentar do PPM”. E lança o repto se o PPM está ou não disposto a demarcar-se clara e inequivocamente de posições de Monárquicos de direita. Em resposta, Luís Coimbra (PPM) declara que António Vitorino não pode confundir regime democrático com regime socialista. “Sr. Deputado, quero lembrar-lhe que, se existem fascistas entre monárquicos, olhe V. Ex.ª para os seus colegas republicanos, porque aí não só existem fascistas, como também comunistas, que, como sabe, são inimigos da democracia pluralista, tão defendida pela sua e pela minha bancada. Somos monárquicos e democratas, embora aceitemos que o Sr. Deputado possa tirar daí outras conclusões. Agradecia também que, quando falasse em Monarquia, não se esquecesse que em 70 anos de democracia o nosso país já viveu 48 anos de ditadura debaixo da II República.”

Fonte BLogue Duas Cidades de MCH

 

Deixar um comentário

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Modificar )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 662 other followers