Luis Filipe Borges – Um destak nunca visto

As Escolhas de Marcelo foi nomeado para melhor programa de entretenimento na Gala da SPA. Devo ter perdido a edição em que o professor fazia malabarismos com os livrosNo momento em que escrevo, o editorial A parva da Geração Parva , de Isabel Stilwell, já vai com mais de 600 comentários online – mais cerca de 400 do que ontem, 23 de Fevereiro, quando tomei conhecimento do mesmo. Nunca o seu folhetim gratuito teve, decerto, tanta atenção.

O mais curioso é constatar a quantidade esmagadora de comentários que foram reprovados ou denunciados – estes últimos, em querendo, ainda se podem ler. E, esforçando-me por isso mesmo, entre uns recentes contra a maré (defendendo a directora do Destak com unhas e dentes), fico parvo – lá está – com a quantidade de opiniões educadas, de modo algum acintosas que foram pura e simplesmente censuradas. Atente-se nesta, e passo a citar: «Na redacção do Destak encontram-se 4 estagiários, um terço da mesma. Devem ter-se revisto nas palavras da sua directora. Será possível saber em que condições laborais se encontram?».

Interessante pergunta, anulada sem resposta. Mas de que palavras falamos quando falamos de A parva da Geração Parva ?. Excertos como estes dois serão elucidativos: «Acho parvo o refrão da música dos Deolinda que diz Eu fico a pensar, que mundo tão parvo, onde para ser escravo é preciso estudar . Porque se estudaram e são escravos, são parvos de facto. Parvos porque gastaram o dinheiro dos pais e o dos nossos impostos a estudar para não aprender nada» ou «Só falta imaginarem que os recibos verdes e os contratos a termo foram criados especificamente para os escravizar, e não resultam do caos económico com que as empresas se debatem» – sniff, sniff, pobres capitalistas, o coração do escriba pelos grupos económicos soluça.

Num tempo em que a recessão a todos toca, num evoluir diário; com taxas de desemprego nunca vistas, uma inacreditável percentagem de licenciados sem trabalho ou com ocupações indignas dos estudos, com tanta literatura sobre a geração Nem-Nem ou Mileurista ou N.I.N.J.A. (no income, no jobs, no assets), este texto – vindo da directora de um órgão que paga mal ou nem sequer paga a alguns colaboradores, é uma perfeita, redonda e insultuosa vergonha. Dia 12, contem também comigo na rua.

Fonte Jornal SOL

 

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