O Futuro do Partido Socialista passa por António José Seguro

Fala-se no MoU da Troika, a minha opinião é simples : se o PS de ganhasse as eleições ficava preso ao MoU ultraLiberal e contra-natura com os princípios e ideologia do PS. O PS se não fosse para a oposição corria a médio prazo o risco de quase desaparecer porque seria obrigado a executar políticas contrárias às que sempre advogou desde 1974. Para o PS sobreviver e reforçar-se teria que ir para a oposição, Sócrates viu bem isso … por muito que se goste ou não.

Só com António José Seguro o PS pode sair reforçado e reorientar o PS para aquilo que faz parte do nosso DNA como socialistas democratas.

Mário Crespo Entrevista Medina Carreira

João Gomes estou contigo !

A propósito do repto feito aqui sobre um post do meu amigo João Gomes sobre o estado da Causa Monárquica em Portugal, concordo com tudo o que o João Gomes disse, deixo aqui o comentário que deixei.

“O João vive para a Causa e não vive da Causa, aí há uma grande diferença em relação a alguns ditos monárquicos. Como tal não tem problemas em dizer o que sente e o aflige como monárquico, mas principalmente como Realista tal como eu.

Se há alguma confusão em algumas cabeças o “Realista” defende a legitimidade de uma família ou monarca, o “Monárquico” defende a “Tradição da Monarquia” e tudo o que lhe está associado. Se há dúvidas basta ver aqui : http://en.wikipedia.org/wiki/Royalist

Ora o problema é que “Causa Monárquica” para além de defender a legitimidade de D.Duarte de Bragança tem de conquistar o público que está indeciso o que está mal informado sobre o que é um Regime Monárquico.

O João quer como eu conhece a realidade do dia à dia, conhece os problemas do “Povo” e sabe que não é fácil convencer pessoas que não sabem se têm algo a perder ou a ganhar com uma mudança de Regime. O problema é que o “Povo” que constitui a maioria do eleitorado que pode mudar uma Constituição à partida é mal informado de que pode perder porque fica mais “caro”.

Não é a segregar o “Povo” com atitudes e actividades só para alguns que alguma vez vamos mudar o estado em que estamos …

Os tempos que aí vêem vão ser muito difíceis, os mais Pobres são os que vão sentir mais na pele … como tencionam dizer-lhes sobre o que a “Causa Monárquica” pode fazer por eles ? ou pretendem que a “Causa Monárquica” faça só por “alguns” ?

Abraço João, estou contigo !”

Saramago sobre Cavaco

Comunicado do Secretariado da Casa Real

Secretariado da CasaReal www.casarealportuguesa.org

«Em face de diversas notícias divulgadas em diferentes orgãos de comunicação social , algumas delas atentatórias da dignidade e do bom nome do Senhor Dom Duarte de Bragança, vem o seu Secretariado esclarecer o seguinte:

1- Não existe qualquer sentença de condenação do Senhor Dom Duarte de Bragança ao pagamento de 100.000 €, nem existe qualquer sentença ordenando a penhora de bens da sua propriedade para garantia do pagamento dos referidos 100.000 €.

2- Corre os seus termos no 1º Juízo do Tribunal do Comércio de Lisboa a acção nº 93/07.0TYLSB, na qual, com base no registo de marca nacional nº 366085 e de logotipo nº 5694, é pedido que o Senhor Dom Duarte seja impedido de utilizar símbolos, ou semelhantes, com as insígnias usadas pela associação denominada Ordem de São Miguel da Ala

3- Tal pretensão foi contestada pelo Senhor Dom Duarte e a acção em causa aguarda, desde 2009, que seja proferido despacho saneador. Assim, a referida acção ainda não teve julgamento nem foi proferida qualquer sentença a esse respeito.

4- Por apenso a esta mesma acção foi instaurado um procedimento cautelar no qual foi proferida uma decisão – necessariamente provisória e meramente destinada a garantir o efeito útil de qualquer sentença que vier a ser proferida no processo principal – ordenando aos requeridos que se abstivessem de utilizar sinais idênticos ou confundíveis com aquelas marca e logotipo e estipulando, para a hipótese de atraso no cumprimento da decisão, uma sanção pecuniária compulsória de 200,00 € diários.

5- Posteriormente a esta decisão, datada de 23 de Outubro de 2009, não foi proferida qualquer outra decisão judicial sobre o assunto.

6- Enquanto aguarda serenamente a sentença a ser proferida no processo principal, o Senhor Dom Duarte de Bragança respeitou a decisão proferida no procedimento cautelar, abstendo-se imediatamente da utilização dos sinais distintivos em questão.

7- Carece, assim, de qualquer fundamento o requerimento executivo apresentado, bem como a penhora dos bens divulgada, pelo que foi oportunamente apresentada uma oposição à execução, aguardando-se decisão judicial sobre a mesma.

8- Todas as outras questões relacionadas com a divulgação e o conteúdo das notícias em causa serão, a seu tempo, encaminhadas para sede própria.»

O Secretariado da Casa Real

A opinião dos Monárquicos- Quem são os Windsor?- Diário de Notícias

Mendo Henriques

Que sabe dos locatários do Palácio de Buckingham? Dois monárquicos portugueses analisam a casa real britânica. O que a distingue – ou não – das outras monarquias europeias e por que foi, até agora, a mais “tradicionalista”?

Quando se pensa em monarquia, a primeira imagem que vem à cabeça é a da família real britânica e da Rainha Isabel II. É a monarquia com mais poder – reina não só no Reino Unido mas é chefe de Estado também dos países da Commonwealth, incluindo Nova Zelândia, Canadá e Austrália. E Isabel II é a monarca europeia que bateu o recorde de longevidade no trono [mas não em tempo de reinado: a recordista é Vitória, que morreu com 82 anos, esteve 63 no trono. Para a ultrapassar, Isabel terá de ser ainda rainha em 2015].” Rui Monteiro, 35 anos, matemático, bolseiro de investigação na Universidade de Aveiro, membro do Instituto da Democracia, não é o monárquico típico, se isso existe. Militante socialista, encontrou no avô paterno, que morreu antes do seu nascimento, a inspiração para a descoberta dessa perspectiva. “Foi por volta dos 14 anos. Fui visitar a minha avó e entrei no gabinete do meu avô, que estava tal qual ele o tinha deixado. Reparei numa foto a preto e branco de um jovem fardado, autografada, e perguntei quem era. O meu pai disse-me que era uma foto do rei D. Manuel II. E quis saber porquê. Vim então a saber que o meu avô era monárquico. Anti-salazarista e monárquico. Virou as costas à causa monárquica e apoiou o Humberto Delgado e prestou serviços ao Governo americano durante a Segunda Guerra Mundial. Tinha uma carta de agradecimento de um presidente americano e tudo.” A vida e as escolhas de Manuel António Vilela, que teria hoje 110 anos, levaram assim o neto a interessar-se pela causa monárquica e a conciliá-la, tal como o pai, Joaquim Domingos Monteiro, que morreu há 12 anos, com a militância socialista. Uma aliança que admite não muito evidente, mas assumida no acto de inscrição no PS: “Quando me filiei, há 16 anos, disseram-me que era um regime tão válido como o republicano, porque também há democracias monárquicas.”

Precisamente, a democracia britânica costuma ser apontada como a mais antiga em vigor, apesar de, como sublinha Rui Monteiro, a casa de Windsor ser, na Europa, a que carece de mais legitimidade democrática. “Nas monarquias nórdicas, quando morre um rei, o regime é referendado, e o povo é auscultado – e com votações muito expressivas a favor da manutenção da democracia. E em Espanha houve um referendo à Constituição e, portanto, à monarquia.” Aliás, a família real que mais admira é a espanhola. “A britânica tem mais poder, mas com uma origem mais obscura, funda-se na Magna Carta, que tem aspectos completamente anacrónicos, como o de o rei ser o chefe da Igreja Anglicana, coisa que acho que vai ter de ser modificada em breve, porque não faz sentido. E até há pouco tempo os príncipes não podiam casar-se com católicos – isso foi alterado no Governo de Gordon Brown.”

Muito mais mudou, como é óbvio, na casa de Windsor. Leis não escritas como a da obrigatoriedade de herdeiros do trono se casarem com membros de outras casas reais ou pelo menos com aristocratas caíram no Reino Unido muitos anos após serem rasgadas por outras monarquias europeias, a começar pelas nórdicas. E se aquando do casamento de Carlos e Diana a “virgindade” desta última era um factor primordial, foi possível já a Carlos, após a escandalosa e trágica novela que foi o seu primeiro casamento, casar-se com uma divorciada (Camilla Parker-Bowles, em 2005, um ano depois de o herdeiro do trono de Espanha, Felipe de Borbon, se unir à também divorciada, e “plebeia”, Letícia Ortiz), e a William assumir publicamente a sua convivência carnal com a “plebeia” Kate Middleton.

A comparativa lentidão da casa real britânica – apesar do furacão Diana (que, já agora, era não só aristocrata como com pergaminhos mais “britânicos” e “antigos” que o marido) – naquilo que se pode denominar de adaptação aos valores e costumes hodiernos é explicada por Mendo Castro Henriques, 56 anos, académico e actual presidente do Instituto da Democracia Portuguesa (uma organização criada em 2007 em relação com a localização do novo aeroporto de Lisboa, cujo presidente “de honra” é Duarte Pio e da qual Rui Monteiro também faz parte) com um paradoxo. “Os britânicos fizeram as reformas políticas antes dos outros: foram os primeiros na Europa a consignar poderes mais simbólicos ao chefe de Estado e a transferir a sede da soberania para o Parlamento. E assim acabam por manter mais tradicionalismo. É uma regra de bolso da história que quanto mais cedo foi a revolução melhor se aliam as tradições e os aspectos revolucionários. Como a revolução britânica é a primeira de todas permitiu criar um compromisso em vários aspectos.” Lembrando que a Inglaterra teve uma república no século XVII (a república de Cromwell, que termina em 1650), antes da Revolução Francesa, Mendo Castro Henriques, formado em Filosofia e actualmente docente na Universidade Católica, aponta o facto de a casa de Windsor ser de origem germânica, descendendo da casa de Hanôver (hoje parte da Alemanha). Os Hanôver subiram ao trono após a dinastia dos Stuarts, que reinou depois do fim da experiência republicana, ter chegado ao fim por falta de herdeiros. “Os ingleses acharam bom ter monarcas constitucionais que não se metessem muito e foram buscar aquele casal estrangeiro [na verdade, o primeiro rei da casa de Hanôver foi para Inglaterra sem rainha, já que tinha a ex-mulher - o casamento foi anulado -, Sofia Doroteia, em prisão domiciliária por supostamente o ter abandonado; uma história muito interessante, que mete até um homicídio, o do alegado amante de Sofia, às ordens do rei e do seu pai, ecoando a de Inês de Castro] em 1714.” Jorge I de Hanôver foi pouco popular, em parte por se dizer que não sabia falar inglês, mas certo é que aceitou passar de rei absoluto em Hanôver para monarca simbólico num regime parlamentar na Inglaterra. A dinastia Hanôver terminou formalmente no Reino Unido com a ascensão ao trono de Eduardo VII, filho de Vitória e do seu primo direito Alberto Saxe-Coburgo-Gota, em 1901. Isabel II é bisneta de Eduardo e faz parte da mesma dinastia, mas o nome da mesma foi alterado em 1917 por Jorge V, avô da rainha, durante a guerra com a Alemanha, devido ao facto de se tratar de um apelido germânico.

Mendo Henriques, que prefere definir-se como “realista” (do inglês royalist) que como “monárquico” e que considera ser essa a melhor forma de defender a res publica, “numa instituição reconhecida pela cultura e pela história”, cita Lafayette, numa frase retomada por Passos Manuel – “A monarquia é o trono rodeado por instituições republicanas” – para definir a sua particular forma de ver os dois regimes como não conflituantes. Quanto ao devir das monarquias europeias, e nomeadamente da britânica, considera que cada uma é um caso. E que se as nórdicas estão de pedra e cal – “muito entrosadas nas vidas dos países” -, o momento das sucessões, na britânica e na espanhola, “pode abrir clivagens”. Certo é que Isabel II reinará provavelmente mais uns bons anos. E que ninguém pode prever o que a progressiva diluição do “sangue azul” e da sua noção agregada de privilégio e distanciamento fará às monarquias. Afinal, se a legitimidade do trono advém de uma ideia de distinção conferida por via familiar e por um estrito sentido do dever que implica ver o monarca e a sua vida, incluindo a privada, como pertença do povo, que fica disso quando as famílias reais se parecem cada vez mais, no sangue e nos costumes, com famílias normais?

Por Fernanda Câncio

Fonte Diário de Notícias

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