A repressão politica do PRP sobre o Partido Socialista Portugues
21 Ago 2011 Deixe um Comentário
“A propaganda republicana, começando a tomar avanço veio suplantar a acção do Partido Socialista, que praticou o grave erro de não exercer uma actividade política persistente, pois sempre se orientou mais pela luta no campo económico. O operariado não desenvolveu o espírito combativo na arena política a fim de conquistar as cadeiras do Parlamento, dos municípios, das juntas. O Partido Republicano, ao qual não interessava directamente a questão económica, por ser um partido com fundamento na ideologia capitalista, accionou por todas as formas nos meios operários com as fórmulas políticas, conquistando assim a adesão das massas proletárias, as quais não tinham ainda uma consciência nitidamente socialista, e proclamando que sem a República não poderia desenvolver-se a organização socialista. Esta falsa teoria e o erro de táctica de orientação do Partido Socialista foram a origem de muitos dos acontecimentos que se produziram depois de 5 de Outubro de 1910 [...] [T. i, p. 279.]“
Fonte Notas para a História do Socialismo em Portugal de César Nogueira
Congressos separados realizam-se em 1909 e no de Lisboa declara-se a dissidência «provocada pelos elementos anarquistas e socialistas que acompanhavam o Partido Republicano, sob o pretexto de que era necessário proclamar primeiro a República e depois tratar da organização operária e socialista» (César Nogueira, op. cit, t. n, p. 300).
As tentativas de restabelecimento da unidade partidária e a reconciliação de Azedo Gneco (considerado como dirigente da ala dita marxista) e de Luís de Figueiredo (figura cimeira da corrente possibilista) chegaram ao conhecimento de D. Manuel de Bragança. Este herdara o trono em circunstâncias particularmente difíceis: o colapso da ditadura franquista; as sequelas do atentado que vitimara o rei, seu pai, e o príncipe, seu irmão primogénito; inviabilidade do regresso a um rotativismo plácido; a permanente ofensiva dos republicanos.
Os Documentos Políticos, Encontrados nos Palácios Reais depois da Revolução Republicana de 5 de Outubro de 1910, cuja publicação foi ordenada pela Assembleia Nacional Constituinte (sessão de 18 de Julho de 1911), constituem um repositório valioso que nos conduz ao seio da intriga política que se tece à volta do jovem rei. É a luta, sinuosa, aspérrima, dos partidos monárquicos pelo 676 poder. Algumas vezes, as ambições pessoais apresentadas como a melhor forma de servir a Monarquia. Sempre as propostas ao rei justificadas como o meio adequado para deter o avanço republicano.
Da sua casa da Rua dos Navegantes, retido pela invalidez física, o político experimentado e hábil que era José Luciano de Castro denunciava ao jovem rei o inimigo principal:
Contra os republicanos é que devem ser assestadas todas as baterias, esse é o inimigo. Convém vigiá-lo sempre.
Fonte Análise Social de
Fernando Piteira Santos





